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Fim do rodízio em SP? Entenda o que pode mudar e piorar o trânsito

Trânsito intenso em São Paulo. Foto: Reprodução

São Paulo está prestes a ver o fim prático do rodízio municipal de veículos. O avanço dos carros elétricos e híbridos, isentos da restrição, tem enfraquecido a medida e deve agravar os congestionamentos na cidade. Segundo a CET, já são mais de 411 mil veículos liberados do rodízio, sendo quase metade com tecnologias híbridas ou elétricas.

A legislação isenta modelos considerados “menos poluentes”, o que fazia sentido no início da transição energética, mas agora se tornou um problema. “Embora os veículos elétricos e híbridos emitam menos gases de efeito estufa, eles não são ambientalmente neutros”, afirma o advogado André Morais Garcia.

Com o Proconve L8, programa que endurece os limites de poluição a partir de 2025, as montadoras serão praticamente obrigadas a adotar versões híbridas, inclusive em modelos populares. Na prática, quase todo carro novo poderá circular todos os dias, esvaziando de vez a função do rodízio.

Especialistas afirmam que, sem alternativas, o trânsito tende a piorar. Para Rafael Calabria, do Instituto de Mobilidade Urbana, “o rodízio virou uma política frágil e de pouca eficácia”. A solução, dizem, passa por investimentos em transporte público, ciclovias e faixas exclusivas, integrando políticas de mobilidade em vez de depender de uma regra que já perdeu o efeito.