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Finalista do “Oscar da conservação” faz desabafo sobre desigualdade na ciência

A bióloga Camila Domit. Foto: Reprodução

A bióloga marinha Camila Domit, de 46 anos, está entre as finalistas do Whitley Award, prêmio internacional conhecido como “Oscar da conservação”. Única brasileira entre os 12 indicados, ela foi selecionada por seu trabalho de proteção de espécies marinhas ameaçadas junto a comunidades tradicionais do litoral do Paraná. Os vencedores do prêmio, que concede 50 mil libras para projetos ambientais, serão anunciados em 29 de abril.

Professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e integrante da Associação MarBrasil, Domit afirmou que sua trajetória na ciência oceânica foi marcada por desigualdades de gênero. “A questão está espalhada em toda a sociedade, isso não é novidade para ninguém. Mas na ciência oceânica e nas discussões de zonas costeiras existe um processo ainda maior de desigualdade”, disse à Folha de S.Paulo.

“Nos cursos de oceanografia, entram 7 mulheres a cada 3 homens. Mas quando olhamos para os professores e pesquisadores no topo da carreira, a proporção se inverte”, prosseguiu. Ela avalia que existe um “preconceito gigantesco” na área e que já chegou a embarcar “em navios que tinham 150 homens e 3 mulheres”. “Dá medo. Eu andava de macacão o dia inteiro, ficava de boné, de macacão…”, completou.

Domit também integra a Liga das Mulheres pelo Oceano, rede que reúne mais de 2.500 participantes e busca fortalecer pesquisadoras na conservação marinha. Ela afirma que o reconhecimento internacional valoriza o trabalho coletivo de sua equipe e amplia o debate sobre a relação entre conservação ambiental, saúde humana e proteção das comunidades costeiras.