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Focada no público de extrema-direita, Jovem Pan enfrenta debandada antes da cobertura eleitoral

Logo da Jovem Pan
Mauro Beting é um dos que deixou a Jovem Pan antes da Copa do Mundo Foto: Reprodução.

A Jovem Pan enfrenta uma debandada de profissionais a poucos meses das eleições presidenciais. As saídas atingem áreas diferentes da empresa, incluindo os setores editorial, digital e comercial.

Segundo apuração do F5 da Folha, pelo menos 15 funcionários pediram desligamento ou a empresa os demitiu nas últimas três semanas. Os destinos dos profissionais que deixaram a empresa foram CNN Brasil, SBT e Band.

O movimento ocorre no momento em que a Pan se prepara para iniciar a cobertura eleitoral, uma das frentes de maior exigência para veículos de comunicação durante o período de campanha.

A saída de quadros em áreas estratégicas pode afetar rotinas internas ligadas à produção de conteúdo, distribuição digital e operação comercial. A informação disponível não detalha os nomes dos profissionais que deixaram a empresa nem a quantidade de desligamentos.

Uma das mudanças atingiu o time de esportes, ainda segundo o F5. Mauro Beting deixou a Jovem Pan e voltou para a BandNews FM, onde participa da cobertura da Copa do Mundo. Procurada, a emissora afirmou que as vagas deixadas serão preenchidas por novos profissionais.

As saídas ocorreram em meio a reclamações de profissionais sobre remuneração abaixo da média praticada por concorrentes, fator que teria influenciado as decisões. O cenário acontece sob pressão por melhores resultados de audiência.

A situação se tornou mais sensível após a Jovem Pan perder a vice-liderança entre os canais de notícias para a CNN Brasil, sua principal concorrente. Programas como “Morning Show” e “Pânico” ainda disputam a liderança em suas faixas, mas outras atrações têm registrado desempenho inferior.

Ao mesmo tempo, a emissora tem promovido ajustes na grade. No horário noturno, estreou um talk-show comandado por Márvio Lúcio, o Carioca, ex-integrante do “Pânico”.

Na área executiva, dois nomes vindos da TV aberta reforçaram a estrutura. Fernando Pelégio, ex-SBT, assumiu como executivo artístico, enquanto Walter Zagari, também com passagens por SBT e Record, passou a responder pela área comercial.

A Jovem Pan ganhou projeção no noticiário político ao defender um ideário de extrema-direita nos últimos anos e mantém atuação em rádio, TV e plataformas digitais. A nova etapa eleitoral deve ampliar a pressão sobre equipes responsáveis por programação, apuração e transmissão de conteúdos políticos.