“Fóssil vivo” que sobreviveu aos dinossauros pode sumir por causa de prato de luxo; entenda

Nas águas do oeste de Gana, o peixe-guitarra virou alvo de um esforço de conservação depois de entrar na lista dos animais marinhos mais ameaçados do oceano. A espécie, de corpo achatado e aparência entre tubarão e arraia, tem ancestrais que viveram nos mares do período Jurássico, mas hoje sofre com a pesca voltada ao comércio de barbatanas para mercados asiáticos.
O biólogo marinho Issah Seidu afirma que as quatro espécies de peixe-guitarra encontradas no país estão criticamente ameaçadas de extinção. “Essas espécies estão silenciosamente entrando em extinção sem que ninguém saiba”, disse ele. Professor universitário e fundador da AquaLife Conservancy, Seidu trabalha há uma década com tubarões e raias em Gana e recebeu recentemente o Prêmio Whitley, honraria internacional voltada a conservacionistas de base.
O peixe-guitarra integra o grupo das chamadas raias-rinoceronte, que reúne 68 espécies no mundo; quase três quartos delas enfrentam ameaça de extinção. Em Gana, pesquisadores consideram que animais maiores do mesmo grupo, como o peixe-serra e o peixe-cunha, já desapareceram localmente. “Não queremos que o peixe-guitarra sofra um destino semelhante”, afirmou Seidu. A vulnerabilidade aumenta porque o animal vive em águas rasas, cresce lentamente e tem poucos filhotes.
A pressão sobre a espécie também acompanha a queda de peixes costeiros usados por comunidades locais, como sardinela, anchova e cavala. Segundo a Environmental Justice Foundation, 90% dos arrastões que atuam na região pertencem a empresas chinesas, embora operem sob bandeiras ganenses. A AquaLife treina pescadores para soltar peixes-guitarra capturados por acidente, registrar dados e mapear áreas de reprodução; Seidu diz que 200 pessoas já deixaram de pescar o animal ou de mantê-lo como captura acidental.
