A fábrica de craques que fez a França sofrer antes de dominar a Copa

A França enfrenta o Paraguai neste sábado (04), às 18h, como a seleção de melhor desempenho na Copa do Mundo até agora. A campanha tem origem em uma estrutura que liga os campos das periferias de Paris à metodologia de Clairefontaine, o Centro Nacional de Futebol da Federação Francesa, a cerca de 50 km da capital. Com informações de uol.com.br.
A federação inaugurou Clairefontaine em 1988 como aposta de longo prazo para reorganizar o futebol do país. Antes de colher resultados, a França atravessou uma década de frustrações e ficou fora das Copas de 1990 e 1994. A ideia nasceu na gestão de Fernand Sastre, presidente da entidade entre 1972 e 1984, e buscava formar jogadores, treinadores e uma identidade comum de jogo. “Era uma ideia revolucionária. Não existia nada parecido no mundo”, disse Christophe Bel, diretor de operações do centro, ao UOL.
Clairefontaine reúne todas as seleções nacionais francesas, da base ao time principal, e conta com 14 campos, centro de pesquisa, estrutura de recuperação física e uma academia para jovens talentos da região de Paris. A cada ano, cerca de 1.500 crianças de 13 e 14 anos passam pela observação da rede de olheiros da federação, mas apenas 25 entram na academia. Depois de uma temporada, elas seguem para centros de formação de clubes e continuam acompanhadas pela entidade.
Thierry Henry foi a primeira grande joia do projeto e integrou o elenco campeão mundial em 1998. Kylian Mbappé virou o principal exemplo recente de um talento captado na periferia e trabalhado em alto nível. O alcance do modelo vai além dos Bleus: 99 jogadores nascidos na França defendem outras 12 seleções nesta Copa, entre eles o marroquino Ayyoub Bouaddi e dez atletas convocados por Senegal, adversário francês na estreia.
