Frei Betto: “A direita saiu do armário e a esquerda entrou”
Frei Betto deu entrevista ao UOL:
O senhor é um religioso da vida modesta, da pregação, do sacrifício. Por que Lula não foi esse exemplo de austeridade e simplicidade? Lembro aqui a figura hoje lendária de Pepe Mujica [presidente do Uruguai de 2010 a 2015] e seu Fusca, como exemplo de nosso continente.
Essa é uma pergunta que só Lula pode responder.
A possibilidade de Lula ser preso tem quais significados, do ponto de vista do senhor? O PT trata o caso como perseguição e Justiça seletiva. O que o senhor pensa?
Até agora não vi nenhuma prova convincente apresentada contra Lula. Como confessou um promotor da Lava Jato, “não temos provas, apenas convicções”…
Estranho que líderes de outros partidos, comprovadamente criminosos, com gravações e documentos, continuem tranquilamente exercendo seus mandatos políticos.
O governo Temer, cuja legitimidade é contestada desde o impeachment, tem algo a ser destacado, negativo ou positivo? Temer tem alguma chance de se reeleger? Lembro aqui que o poder da caneta e da influência de um presidente é quase ilimitado no Brasil.
Quero muito que Temer seja candidato. Para se dar conta de seu real lugar na história política do Brasil.
Há um clamor em parte da sociedade por soluções fortes, imediatas. É um viés autoritário explícito, alimentado em grande parte pelo sentimento de que todos os políticos são corruptos. O capitão reformado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), por exemplo, está em segundo nas pesquisas. Defende projetos considerados ultraconservadores. Como o senhor observa esse sentimento latente se tornando explícito?
A direita saiu do armário e a esquerda entrou… Bolsonaro é um avatar sem futuro. Não tem apoio da grande mídia, do sistema financeiro e das Forças Armadas. Não sobrevive ao primeiro debate presidencial.

