Frei Betto: “Há que ter cautela com o que Palocci disse, mas sua expulsão do PT deve ser sumária”
Frei Betto deu entrevista ao El Pais:
Pergunta. Considerando o que o senhor conhece de Palocci e o que o senhor conhece de Lula, como diferenciar a credibilidade de cada um neste momento?
Resposta. Considero precipitado qualquer julgamento e fico à espera das investigações da Justiça. O que Palocci declarou, motivado pela ânsia de minorar sua reclusão carcerária, é muito grave e compromete a credibilidade de Lula. Contudo, há que ter cautela. O ex-senador petista Delcídio Amaral também fez graves acusações a Lula e, depois, a Justiça apurou que ele mentiu, o que resultou na recente absolvição de Lula quanto aos supostos crimes imputados a ele.
De qualquer modo, Palocci maculou profundamente a imagem do fundador do PT e o partido deveria, no mínimo, promover o quanto antes a sua expulsão sumária.
P. Palocci se beneficia de uma confissão com redução de pena mesmo sem delação premiada. O depoimento dele traz credibilidade?
R. Palocci se encontra em situação de profundo sofrimento como encarcerado. Estive preso quatro anos e sei que não é fácil para uma pessoa que, como ele, gozava do respeito e da amizade de banqueiros, desfrutava uma vida de luxos e mordomias, suportar a reclusão carcerária. Portanto, ele está disposto a tudo para ver a sua pena reduzida e obter prisão domiciliar. Isso compromete a credibilidade do que declara. Vi muitos companheiros de prisão que, sob tortura física ou psicológica, declararem o que os nossos algozes queriam ouvir. Portanto, repito, é preciso aguardar as investigações da Justiça e as provas que Palocci deverá apresentar para fundamentar o que disse.
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