Funcionárias do gabinete do juiz Marcelo Bretas ameaçaram demissão coletiva por causa de sua postura no Twitter
A Piauí traz um perfil de Marcelo Bretas, o juiz da Lava Jato do Rio.
Segundo a revista, “se para a maior parte dos usuários uma treta nas redes sociais rende no máximo uma leve chateação, para Bretas trouxe ônus adicionais. Outros magistrados e investigadores da Lava Jato pediram que ele parasse com as discussões e a Corregedoria da Justiça já o avisou de que ele não será mais juiz exclusivo da Lava Jato. Vai passar a receber também processos de outros casos”.
Segue:
Mas a coisa ficou séria quando, nos primeiros dias de dezembro, Bretas publicou uma foto em que aparecia segurando um fuzil após um treinamento de segurança (o juiz só anda escoltado). Na legenda, agradeceu à Polícia Civil pelo exercício, à Polícia Militar pela escolta e a um desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro pelo apoio. “Estamos juntos!”, escreveu. Para o juiz, era uma postagem inocente. “Eu não estava a trabalho, era uma coisa pessoal”, justificou-se. “Mas causou mesmo certo incômodo.”
Incômodo é eufemismo: a postagem deixou de cabelo em pé investigadores da Lava Jato, outros juízes e ministros do STJ, que ligaram para a Corregedoria da Justiça reclamando da postura de Bretas. Contrariou até as funcionárias de seu gabinete. “Elas se reuniram e fizeram um complô contra mim”, contou o juiz. “Disseram que, se eu não tirasse a foto, pediriam demissão coletiva.“
De início, Bretas achou tudo um exagero. Depois, cedeu. “Demorei a entender que era impossível desvincular a minha função de juiz do perfil do Twitter. Mas reavaliei e entendi que estavam certos.” Dali em diante o juiz mudou de postura na rede social. Passou a apagar quase todas as postagens que publica. Trocou o retrato à paisana que ilustrava seu perfil por uma imagem em que aparece usando toga (e depois já trocou por outra foto, de terno). Fixou no alto de sua página um tuíte com dois versículos tirados do livro de Provérbios: “‘Quem dá uma resposta séria a uma pergunta tola é tão tolo como quem a fez’; ‘Responda ao tolo de acordo com a tolice dele, para que ele não fique pensando que é sábio.’ Um ótimo final de semana.
Pouca gente notou quando o usuário @mcbretas se inscreveu no Twitter em outubro passado. Mais de um mês depois, ainda tinha pouco mais de 100 seguidores. Foi quando um amigo promotor lhe deu um toque. “Ele me disse que só valia a pena estar no Twitter se fosse para ter muitos seguidores, pelo menos uns 20 mil”, disse o magistrado. “Do contrário, o que eu dissesse não faria diferença.
