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Funcionários da Loja Três denunciam racismo, gordofobia e assédio moral

Loja Três (reprodução)

Do UOL:

“Por trás de peças, pessoas”. É assim que se apresenta a Loja Três, empresa de moda criada há seis anos no Rio de Janeiro e que, atualmente, tem quatro lojas — duas na capital fluminense e duas em São Paulo. Na etiqueta das peças, há uma foto da costureira responsável pela confecção; no site, as funcionárias, maioria de pele negra e cabelo crespo, aparecem dançando e se divertindo entre as máquinas de costura. A Três se autodenomina “uma marca de roupas e acessórios com essência colaborativa, que busca incentivar e compartilhar talento e criatividade” — mas, segundo os 11 funcionários e ex-funcionários da empresa contatados por Universa, esse discurso não se traduz em realidade.

A primeira história que ouvimos, contada por Karina Haro, ex-gerente da extinta loja do Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, envolve a dona da loja, Guta Bion, de 61 anos. Segundo Karina, a empresária teria pedido que ela pressionasse a vendedora Juliana Neves, que é negra: ou ela desfazia as tranças e voltaria a usar o cabelo cacheado ou não teria seu contrato de experiência renovado.

Por conta dessa primeira entrevista, feita no dia 26 de fevereiro, buscamos outros dez funcionários da empresa. O que ouvimos foram relatos de racismo, gordofobia, assédio moral, abuso de poder e violação de direitos trabalhistas — todas essas agressões teriam sido praticadas direta ou indiretamente por Guta e seus dois filhos, a estilista Fernanda Bion e o economista Francisco Bion, sócios da mãe na empresa.

Algumas dessas histórias chegaram, por meio de denúncias anônimas, ao MPT (Ministério Público do Trabalho) do Rio de Janeiro e levaram a instituição a abrir dois inquéritos civis para investigar a Loja Três. Um deles, que versa sobre assédio moral, abuso de poder, casos de racismo e maus tratos, além de irregularidades trabalhistas, é investigado por Artur de Azambuja. À Universa, o procurador contou que tentou notificar a Loja Três pelo menos três vezes desde junho de 2018, mas que a empresa não se mostrou disposta e conversar sobre o assunto.

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