O corpo do jogador mudou: o que a ciência descobriu após 50 anos de futebol

Dois gols marcados em finais de Copa do Mundo ajudam a mostrar como o futebol de elite mudou nas últimas décadas. Em 1970, no México, a seleção brasileira trocou passes com oito jogadores por cerca de 30 segundos até Carlos Alberto Torres marcar contra a Itália. Já na final de 2022, no Catar, a Argentina construiu uma jogada semelhante em apenas 12 segundos, concluída por Ángel Di María contra a França. Para Orlando Laitano, professor da Universidade da Flórida e especialista em fisiologia do exercício, a diferença está ligada às exigências físicas do futebol moderno, que demanda atletas mais rápidos e mais fortes.
Pesquisadores da Universidade de Wolverhampton analisaram dados de milhares de jogadores da principal divisão inglesa entre os anos 1970 e 2020 e identificaram mudanças no perfil físico dos atletas. O estudo aponta aumento superior a 4 centímetros na altura média entre 1973 e 2013, além de uma tendência de jogadores mais leves e longilíneos. Segundo o professor emérito Alan Nevill, a melhora dos gramados e a carga de trabalho atual contribuíram para essas mudanças.
A velocidade também aumentou. Estudos citados na análise indicam que jogadores raramente ultrapassavam 30 km/h nos anos 1970 e 1980, enquanto pelo menos 10 atletas superaram 35 km/h na Copa do Mundo de 2022. Para o pesquisador Jens Bangsbo, da Universidade de Copenhague, a capacidade de recuperação entre arrancadas tornou-se um dos principais fatores do futebol moderno. Especialistas também apontam que os atletas disputam mais partidas ao longo das temporadas, ao mesmo tempo em que avanços na preparação física, nutrição e recuperação ajudam a prolongar suas carreiras.


