Game causa polêmica ao recriar um dia na vida de Anne Frank
Anne está lendo, sentada na cozinha. Sua mãe prepara o almoço para os moradores do esconderijo, um anexo secreto nos fundos de um edifício em Amsterdã. Ela pede a Anne que busque um saco de batatas na despensa. A jovem se sente cansada. Ela deve ir ao andar de cima e pegar o saco? E se ela tropeçar e fizer algum barulho? Os vizinhos poderiam ouvir e denunciar a família? Se ela não for, sua mãe vai reclamar?
Esses são alguns exemplos de decisões com que o jogador de um game chamado Anne Frank é confrontado. O designer de jogos alemão Kira Resari transformou o mundo da famosa menina judia num jogo de computador.
Em 1934, a família Frank fugiu do regime nazista, buscando refúgio na Holanda. Anne tinha 5 anos. Em 1940, o país foi ocupado pelos nazistas. A família foi obrigada a se esconder. A vida no esconderijo em Amsterdã passou a ser meticulosamente documentada quando Anne, em 12 de junho de 1942, começou a escrever um diário.
Mais tarde o pai de Anne Frank, que sobreviveu ao Holocausto, publicou as anotações de sua filha. O diário de Anne Frank foi traduzido em 55 idiomas e é um dos livros mais lidos em escolas de todo o mundo.
“Experiência interativa”
Resari sustenta que seu jogo não banaliza a vida de Anne Frank. “Muitas pessoas pensam em jogos de computador apenas como uma forma de entretenimento, mas eles podem ser mais do que isso. Eles podem transmitir sentimentos”, diz o designer. “Filmes e livros também lidam com questões difíceis. Por que essas questões devem ser banidas dos jogos de computador?”
Ele se refere ao projeto não como um jogo, mas como uma “experiência interativa”. Resari quer transmitir ao usuário a atmosfera do esconderijo, sensações que Anne Frank provavelmente deve ter sentido. O jogo não se destaca pelos gráficos em 3D ou pelos efeitos sonoros. A aparência é simples e triste. O melancólico piano da trilha sonora contribui para criar uma atmosfera opressiva.
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