Garoto torturado por tatuador sofre de doença mental e não tentou roubar bicicleta

 

Do site da Afroguerrilha:

Durante esse domingo, nossa arrecadação conseguiu juntar o valor necessário para fazer a remoção da tatuagem da testa do garoto torturado, que sofre de problemas mentais e, inclusive, é tratado pelo CAPS, centro destinado a quem sofre de problemas psíquicos graves.

O deficiente físico dono da bicicleta supostamente roubada foi entrevistado pela imprensa pela manhã e está transtornado. Segundo o que ele contou ao jornalista Wallace Lara da TV Globo, a bicicleta não era utilizada, era quebrada. O garoto nem teria tentado rouba-la (isso foi inventado pelos torturadores) e o rapaz deficiente chorou a noite toda e não tem dormido por terem usado a deficiência física dele como desculpa para causar uma crueldade dessas a um adolescente com problemas mentais e químicos.

Vamos contatar esse rapaz e, caso ele precise comprar uma outra bicicleta (mesmo que o garoto nem tenha tentado rouba-la), diante do caso tomamos a liberdade de alocar uma parte dos recursos arrecadados para ajuda-lo a comprar uma nova. Todas as informações serão divulgadas aqui pela página conforme tudo acontecer.

Além da remoção, o valor será destinado a parte dos custos com o processo judicial, ao seu tratamento psicológico e o restante será destinado diretamente a avó do garoto, que é a responsável por ele e vive uma situação de pobreza muito forte, inclusive tem a água e luz de casa cortados. Vamos organizar a prestação de contas pública da arrecadação para que cada centavo seja gasto de forma transparente e que todos que doaram saibam como o valor será de fato usado.

Aos haters que disseram que não apoiamos pessoas pobres (a família do garoto é muito pobre) ou moradores de rua, o Coletivo Afroguerrilha organizará em breve uma arrecadação coletiva para levar agasalhos e comprar alimentos para pessoas que vivem em situação de rua. Apenas arrecadaremos o valor, mas o dinheiro será totalmente entregue a organizações publicamente conhecidas e que atuam no apoio aos moradores de rua há décadas. Queremos ver quem vai arrumar desculpa para vomitar ódio, e quem vai abrir o coração, fortalecer e apoiar.

Apesar das mensagens de ódio de monstros que acusaram o garoto de ser algo sem conhecerem sua vida ou sua família, recebemos muitas mensagens de apoio de seres humanos que fazem diferença no mundo. Acreditamos que as pessoas podem mudar e se tornar melhores. Elas mudam quando as ajudamos a mudar, não quando pedimos sua tortura ou morte.

Como disse aquele Jesus que muitos aí dizem seguir: “Quem nunca cometeu um erro, que atire a primeira pedra… Amai o outro como a ti mesmo”. Esse amor era um que transformava, não um que condenava. Você gostaria de ser torturado e ter seus (supostos) erros tatuados na sua testa?

TODOS podemos cometer erros, mas acreditamos também que podemos nos tornar melhores juntos.