Felino raro gaúcho entra na lista de animais à beira da extinção

O gato-palheiro-pampeano (Leopardus munoai), um dos felinos mais raros do Brasil, entrou oficialmente na lista nacional da fauna ameaçada de extinção na categoria Criticamente em Perigo, o último estágio antes da extinção na natureza. A Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, também reconheceu o animal como espécie própria, mudança relevante porque ele era tratado por muito tempo como subespécie de outro felino.
Discreto e difícil de observar, o animal vive em campos nativos do sul do Rio Grande do Sul, do Uruguai e do nordeste da Argentina. Análises genéticas e morfológicas recentes confirmaram que o Leopardus munoai é uma espécie distinta, o que torna sua conservação mais delicada: a população passa a ser analisada como menor, mais restrita e exposta a ameaças específicas. Com pelagem pardo-acinzentada, orelhas triangulares e focinho rosado, o felino se camufla na vegetação seca do Pampa.
Dados do projeto Felinos do Pampa indicam que menos de 1% das áreas de alta qualidade para o gato-palheiro fica dentro de unidades de conservação. Em 15 anos, o habitat nativo do felino diminuiu mais de 25%, enquanto áreas de agricultura e silvicultura cresceram quase 30% e substituíram diretamente o ambiente da espécie. “Onde tem essa pecuária tradicional, onde tem o gado, aquela figura do gaúcho a cavalo tocando gado, é onde está o gato-palheiro”, afirma o biólogo e pesquisador Felipe Peters.
Além da perda de território, o gato-palheiro-pampeano enfrenta predação por cães domésticos, atropelamentos, incêndios usados no manejo de pastagens e caça por retaliação quando ataca animais de criação. Especialistas do Felinos do Pampa atuam com sinalização de trechos críticos em rodovias, campanhas de vacinação de animais domésticos e diálogo com produtores, mas apontam a preservação dos campos nativos como a principal medida para evitar o desaparecimento da espécie.
