“Gato solar” acende alerta e cria nova tensão no setor elétrico

O chamado “gato solar” entrou no radar do setor elétrico brasileiro após casos de alterações não autorizadas em sistemas de geração solar. A prática ocorre quando consumidores aumentam a potência instalada de painéis fotovoltaicos ou fazem mudanças em equipamentos sem informar a distribuidora responsável. Com informações da Folha.
A geração distribuída permite que consumidores residenciais e empresariais produzam a própria energia e utilizem créditos pelo excedente enviado à rede. Estimativas sobre o tamanho das irregularidades variam: alguns cálculos apontam uma potência próxima à da usina de Itaipu, enquanto a fiscalização feita pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) com 19 distribuidoras identificou 88 MW em geração irregular confirmada. Em nota, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) afirmou: “Tampouco implica atribuição automática e integral à MMGD não registrada”. O órgão acrescentou: “O ONS reafirma que a existência dessa capacidade adicional ainda deve ser tratada como uma hipótese técnica, sem comprovação causal definitiva”.
A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) afirma que os casos já impactam a conta de luz dos consumidores brasileiros. “As distribuidoras vêm sendo surpreendidas com um volume 20% maior de energia”, disse Patrícia Audi, presidente da entidade. Segundo ela, “Nós estimamos que são duas as origens do problema. Uma é a falta de conhecimento; as pessoas instalam os painéis sem saber as regras. E a outra questão é a má-fé.” Rodrigo Marcolino, conselheiro da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), contesta as estimativas mais elevadas e afirma que parte das situações envolve dificuldades burocráticas e atualização de projetos. A Aneel informou que acompanha o tema e avalia medidas de prevenção, identificação e aperfeiçoamento do sistema.

