Gatonet, o esquema milionário por trás da TV pirata

Os serviços ilegais conhecidos como gatonet estão sendo desativados em diversos países da América do Sul após uma operação internacional contra pirataria digital. Desde o fim de semana, usuários de plataformas como My Family Cinema, Eppi Cinema, TV Express e Duna TV relatam falhas e instabilidade. Essas plataformas, que vendem acesso a filmes, séries e canais pagos, funcionam por meio de servidores clandestinos que retransmitem conteúdo protegido por direitos autorais.
Esses serviços operam em TV boxes piratas ou aplicativos de celular, muitas vezes já instalados em dispositivos com sistemas Android sem certificação da Anatel. Em geral, oferecem um período gratuito e depois cobram assinaturas mensais ou anuais, o que faz muitos usuários acreditarem, erroneamente, que se trata de serviços legítimos. Na prática, os conteúdos são obtidos ilegalmente e transmitidos por servidores hospedados no exterior, o que dificulta a fiscalização.
A operação que derrubou parte dos sistemas foi conduzida por autoridades da Argentina, em conjunto com a associação Alianza, que reúne empresas da indústria audiovisual na América Latina. A investigação localizou o núcleo de marketing e vendas desses serviços em Buenos Aires e fez buscas em prédios ligados à distribuição dos sinais piratas. As autoridades argentinas mantêm o caso sob sigilo judicial.
Segundo estimativas da Alianza, cerca de 6,2 milhões de assinantes utilizavam essas plataformas, sendo 4,6 milhões no Brasil. A organização que controlava o esquema movimentava entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões por ano. A Argentina foi escolhida como centro de operações por ter mão de obra técnica especializada a custos mais baixos, enquanto a administração e a parte de tecnologia estavam sediadas na China.
