Gays afeminados relatam rejeição em aplicativos de namoro

Homens gays que se identificam como afeminados relatam rejeição e bloqueios em aplicativos de namoro por características como voz, gestos e modo de se expressar. Matheus Daipre, de 28 anos, diz que usuários do Grindr já interromperam conversas depois de ouvi-lo em mensagens de áudio e conta que tentou aparentar mais masculinidade para despertar interesse.
Estudos sobre relações entre homens gays apontam que atributos associados à masculinidade, como corpo atlético, branquitude, riqueza e discrição, recebem mais valorização no ambiente online. Para o psiquiatra Adilon Harley Machado, a aprendizagem social que opõe o masculino ao feminino também molda o desejo. “O gay afeminado torna visível tudo aquilo que a masculinidade hegemônica manda esconder”, afirma.
A pesquisadora Letícia Lanz relaciona a desvalorização de traços femininos à misoginia, embora diferencie preferências individuais de manifestações discriminatórias. A psicóloga Noemi Alves do Carmo Machado alerta que mudar características para buscar aceitação pode dificultar uma identidade positiva e manter a pessoa em estado de vigilância constante diante de possíveis rejeições.
