General que comanda a Abin fala em crise moral e sugere “medidas extremas” para a segurança pública

O MINISTRO DO GABINETE de Segurança Institucional do governo Temer, Sérgio Westphalen Etchegoyen, causou incômodo em parte da comunidade diplomática durante uma palestra no Instituto Rio Branco. O general sugeriu “medidas extremas” para a segurança pública, elogiou feitos dos anos de chumbo e disse que o país sofre com amoralidade e com patrulha do “politicamente correto”.
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A palestra ocorreu no dia 23 de agosto. Nesta segunda (9), The Intercept Brasil teve acesso exclusivo ao conteúdo do encontro, graças a uma gravação de áudio feita sem o conhecimento do Instituto Rio Branco.
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O convite para que o ministro falasse a alunos do Rio Branco partiu de Alexandre Parola, porta-voz do atual governo que, nos corredores do Itamaraty, é jocosamente chamado de “porta-malas”. Quando a primeira denúncia contra Michel Temer foi rejeitada, Parola disse, em pronunciamento oficial, que o presidente havia recebido a notícia “com a tranquilidade de quem confia nas instituições brasileiras” e que a decisão era uma “vitória da democracia e do direito”.
Etchegoyen parece pensar diferente. Para ele, o país passa por crises tão profundas que afetam a própria estrutura do Estado: “Nós nunca vivemos, no Brasil, um momento em que coincidisse, com tanta intensidade, tantas crises estruturais e tantas crises setoriais. Isso nos dá uma crise sistêmica”, disse. “E nós não vamos tratar com Aspirina nem com Tylenol. Nós vamos tratar com antibiótico, com todos os efeitos colaterais”.
Ao longo das quase duas horas ao microfone, o militar gaúcho se mostrou bastante cordial, mas, mais de uma vez, pecou pela falta de coerência. Tendo, entre outras, a função de zelar pela segurança de um presidente que vem oferecendo tudo e mais um pouco em troca da permanência no cargo, Etchegoyen criticou justamente a excessiva preocupação dos políticos em “preservar mandatos e biografias”. E, com distanciamento pouco comum a homens em posição de comando, reclamou que vivemos um “deserto de lideranças”. Uma situação de “perplexidade política” para a qual não há saída à vista e que pode “gerar problemas maiores”.
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Etchegoyen diz acreditar que a crise atual é o grande “inimigo interno” e pode ser dividida em três vertentes: a econômica, a política e a moral, que, para o homem forte da segurança de Michel Temer, é a maior delas.
Com quase cinco décadas no Exército, o general achou por bem discorrer sobre a violência no Rio de Janeiro. Para ele, a ação do Exército é justificada pela falência do Estado. “Estamos vivendo tempos extraordinários. Precisamos de soluções extraordinárias.”
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PS:
Um coronel que trabalha para a Abin fez palestra para empresários na Fiesp, há poucos meses. Ele disse que um dos obstáculos para a implementação de uma política de segurança pública eficiente é a defesa dos direitos humanos por órgãos da sociedade civil. Pessoas como estas que comandam a Abin sempre estiveram por aí, a crise política só abriu espaço para dizerem o que pensam.
