Gestão Doria corta transporte escolar e diz a pais para mudarem filhos de escola

Da RBA:
Familiares de alunos de escolas municipais da cidade de São Paulo estão recebendo comunicados da gestão do prefeito da capital paulista, João Doria (PSDB), informando que seus filhos, que hoje utilizam o transporte escolar gratuito (TEG), serão transferidos de escola ou ficarão sem o auxílio em 2018. Mães de estudantes ouvidas pela RBA relataram que não está havendo diálogo, são convidadas pelas diretorias das unidades apenas para assinar o documento, já com o nome das crianças e, em alguns casos, com o nome da escola para onde serão transferidos os alunos.
O comunicado informa que a transferência será feita se houver vaga, mas não foi dada qualquer garantia de que os estudantes vão ter o transporte escolar no próximo ano mesmo assim. Supervisores de ensino ouvidos pela RBA, em condição de anonimato, informaram que a decisão da gestão Doria é pela redução de custo do TEG. “O que nos foi determinado é simplesmente para reduzir a quantidade de alunos transportados. Não tem vaga nas escolas pra onde querem transferir. Porém, ao assinar a declaração de preferência, elas acabam abrindo mão do TEG”, explicou um servidor.
Criado em 2001, com o nome de Vai e Volta, o TEG tem algumas regras que foram sendo ampliadas com o passar dos anos. Hoje, crianças que moram a dois quilômetros da escola, possuem algum tipo de deficiência física ou passam por algum tipo de barreira – córregos sem ponte adequada, avenidas com muito movimento ou sem sinalização, por exemplo – têm direito ao TEG. Para este ano, o orçamento do transporte escolar foi de R$ 217,5 milhões, dos quais Doria congelou R$ 41 milhões.
A dona de casa Josidete Gomes da Silva considerou absurda a exigência de que os pais aceitem a transferência, feita em uma reunião no último dia 22. Este é o terceiro ano que a filha dela, Gisele, utiliza o TEG. Ela estuda na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Frei Damião, no Jardim Eliana, zona sul da capital, e querem transferi-la para a EMEF Plínio Salgado, a cerca de um quilômetro de distância da unidade atual. O que para Josidete mudaria muito pouco na necessidade de transporte escolar, mas retiraria a obrigação do transporte da Secretaria Municipal da Educação, sob chefia de Alexandre Schneider.
“Eu não assinei e não pretendo assinar, porque acho uma injustiça a gente assinar uma coisa que a gente não quer. Não quero tirar ela da Frei Damião. Ela está indo bem, já sabe ler. A opção que me deram é colocar ela no Plínio Salgado, mas lá não tem transporte. E se eu não assinar pra tirar ela do Frei, também não vai ter transporte”, afirmou Josidete. Para ela, a questão também é de manter a filha em uma escola que ela compreende ter melhor qualidade.

