Gianotti, amigo e conselheiro de FHC, diz que o PSDB morreu

Do Vermelho
Às véspera da eleição, a disputa no ninho tucano está cada vez mais acirrada. A sigla responsável pelo golpe contra a democracia, que afastou a presidenta eleita Dilma Rousseff e deu sustentação ao governo de Michel Temer, “está morta”. É o que afirma o filósofo José Arthur Giannotti, um dos gurus tucanos em entrevista à Folha de S. Paulo.
“O PSDB morreu. Quer que eu fale de defuntos? O PSDB não é mais um partido. Funcionava como um partido quando as decisões eram tomadas em bons restaurantes e todos estavam de acordo. Agora isso não há mais. E não existe alguém como Lula para aglutinar todos”, diz ele, afirmando que o partido não tem vida orgânica, ou seja, sem militância. Apenas um cúpula que decidia os rumos da legenda e agora nem isso.
Giannotti é filósofo e professor emérito da Universidade de São Paulo e uma referência para políticos do PSDB desde a fundação da sigla. Muito próximo ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ele tem afirmando que a legenda tucana acabou desde o golpe no ano passado.
Na ânsia pelo poder, os tucanos se alçaram como paladinos do combate à corrupção, dando margem à judicialização da política. Pavimentaram o caminho do discurso da antipolítica e, agora, estão num mato sem cachorro.
Na análise de Giannotti, a crise atual é mais grave do que a de 1964. Ele admite que o ex-presidente Lula tem chances de voltar ao poder.
“O Lula é um gênio político, é absolutamente extraordinário. Até que ponto ele foi tomado pela corrupção a Justiça vai dizer. As pesquisas mostram que o Lula tem chance, mas, se entrar, vai haver muito protesto”, afirma.
Na entrevista, Giannotti reforça o discurso ultradireitista de que o país precisa de uma intervenção militar ao dizer que a crise “é pior que a de 1964”, mas ressalva que nesse período pelos menos os militares “botaram ordem”.
“Lá tinha a merda dos militares. Eles mataram gente etc., mas botaram ordem. Agora nem isso nós temos. Não quero a volta dos milicos não [enfático]. Mas hoje não temos processos de resolução da crise. Isso é um problema muito sério. Quem diz ter a solução para a crise? Ninguém.”
Ele também critica o discurso de “gestão” na política, adotado pelo tucano prefeito de São Paulo, João Doria. De acordo com o filósofo, Doria não pode nem ser considerado gestor. “Ele é um bom comunicador, que se veste de gari e assim por diante. Até agora não vi ele provar ser um grande gestor”.
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