Gilmar diz que é grave STF não julgar um habeas corpus e chama Cármen Lúcia de Mãe Dinah

Do O Globo:
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes alfinetou nesta segunda-feira, de uma vez só, a presidente, Cármen Lúcia, e os demais ministros da Corte. Primeiro, Mendes criticou a recusa de Cármen em pautar a rediscussão sobre a execução de pena após análise em segunda instância. Depois, apontou o dedo para seus colegas, os quais, segundo ele, adotam postura ativista em suas decisões. Nos dois casos, foi irônico.
Mendes disse que a análise de pedidos de réus presos ou com possibilidade de serem presos é prioritária no STF. E avaliou que discutir ou não a pauta de um habeas corpus é “coisa de Direito achado na rua”.
— Nunca ninguém discutiu a pauta ou não de um habeas corpus. Isso é coisa de direito achado na rua. Quando há possibilidade de o réu ser preso ou está preso, em geral, colocamos isso com a maior urgência. Isso não está à disposição do presidente — disse.
Gilmar Mendes falou após uma palestra sobre o novo Código de Processo Civil no Instituto de Direito Público, faculdade da qual é sócio, no centro de São Paulo. Para o ministro, o mais grave que pode acontecer ao Judiciário é o Supremo Tribunal Federal se negar a julgar um pedido feito a ele.
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O magistrado disse que o STF deve respeitar as leis e não julgar de acordo com o sentimento do povo. Segundo ele, os juízes que querem abusar do aspecto legislativo de seu cargo deveriam atravessar a rua e ir para o Congresso Nacional.
— Eu não sei como faz essa captação do sentimento do povo. Se é a Mãe Dinah (vidente morta em 2014) que a gente incorpora. Eu, por exemplo, não sei captar o sentimento do povo, mas fico com muita inveja de quem sabe — disse.
