Gilmar Mendes diz que procurador da Lava Jato exigiu seu nome em delação

Publicado em 21 fevereiro, 2019 10:09 am
O ministro do STF Gilmar Mendes – Rovena Rosa/Agência Brasil

Da Época:

Na semana anterior, tornara-se pública uma investigação da Receita Federal sobre o casal. Era a primeira vez na história que um magistrado da mais alta Corte do país sofria tal escrutínio. A justificativa do Fisco para devassar as contas do ministro era uma “análise de interesse fiscal” para investigar possíveis fraudes de “corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio ou tráfico de influência”. A suspeita levantada envolveria o IDP, os honorários advocatícios dela e um suposto favorecimento dele no julgamento de processos na Corte.

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“Quem fiscaliza? Pois é, quem fiscaliza?”, disse Mendes sobre o que acha serem abusos das investigações. Segundo ele, no passado, o ex-secretário Everardo Maciel havia criado um mecanismo para controlar a corrupção na Receita. “Quando um fiscal ia a uma empresa, a central sabia, tinha de avisar o superior ou o grupo”, contou. “Hoje, quem está fiscalizando isso? Eles estão acoplados a essas forças-tarefas. E aí a questão é grave”. E lembrou: “A investigação é de Vitória, gente, Vi-tó-ria! É mais um sintoma dessa desinstitucionalização”.

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Uma semana antes, contou, fora procurado por seu sócio no IDP em São Paulo, Luiz Junqueira, que lhe revelou ter sido contatado por um advogado da empreiteira Triunfo, concessionária de pedágio no Paraná e uma das últimas a ser tragada pela espiral da Lava Jato. Mendes ficou sabendo que o advogado Tracy Reinaldet, que negociava a delação dos empresários da construtora, teria ouvido um pedido do procurador Diogo Castor, integrante da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Segundo o relato de Reinaldet ao advogado da Triunfo, Castor teria apresentado uma condição para o acordo de colaboração. “Ele exigiu que meu nome viesse na delação. O meu e o do desembargador Thompson Flores”, disse Mendes, referindo-se ao presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Dois dias depois, contou Mendes, ouviu a mesma história de um amigo de Brasília que é sócio de uma empresa de construção.

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