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“Me perseguia”: dentista espancada por empresário da Faria Lima tentou romper relação

Giullia Falcão em entrevista
Giullia Falcão durante entrevista. Foto: Reprodução

O relato da dentista Giullia Falcão, de 27 anos, que denunciou o ex-marido Ivo Vel Kos, de 48, ajuda a dimensionar as barreiras enfrentadas por mulheres para sair de relações violentas. Ela afirmou ter sofrido agressões físicas, psicológicas e sexuais durante o casamento e disse que o empresário a ameaçava de morte. “Acreditava que era um episódio de ódio isolado e que eu poderia ser feliz e que isso nunca mais iria acontecer”, declarou.

Especialistas descrevem a violência doméstica como um ciclo que começa com tensão, insultos e tentativas de controle, avança para a explosão das agressões e pode ser seguido por uma fase de aparente arrependimento. Nela, o agressor pede desculpas, promete mudanças e tenta retomar a relação. A co-diretora do Mapa do Acolhimento, Ana El Kadri, alerta que os intervalos entre as agressões tendem a diminuir e que essa recorrência coloca a vítima em risco de vida.

Giullia relatou que tentou terminar o relacionamento mais de uma vez, mas enfrentou perseguição, ligações insistentes e visitas à sua casa. “Eu ficava longe dele e ele ia ao meu encontro. Ele me perseguia”, contou. Dados do Mapa do Acolhimento indicam que uma em cada cinco mulheres vítimas de violência leva mais de dez anos para pedir ajuda, sob impacto de fatores como dependência financeira, isolamento, ameaças e medo de uma escalada das agressões.