Goma de mascar de Ancelotti faz bem ou mal? Entenda os cuidados

O hábito de Carlo Ancelotti de mascar goma durante partidas de futebol desperta curiosidade há décadas. O treinador, que já passou por Real Madrid, Milan, Chelsea, Paris Saint-Germain e Bayern de Munique, costuma trocar gomas ao longo dos jogos e já contou em entrevistas que substituiu o cigarro pelo chiclete.
Especialistas em odontologia e gastroenterologia afirmam que a goma pode trazer benefícios quando usada da forma correta: sem açúcar, principalmente após refeições e por tempo limitado, em torno de 10 minutos. O estímulo à produção de saliva ajuda a equilibrar o pH da boca, remover resíduos alimentares e reduzir condições associadas a cáries, placa bacteriana e mau hálito. Revisões científicas citadas na reportagem apontam resultados melhores com gomas sem açúcar, especialmente as que contêm xilitol.
O chiclete, porém, não substitui escovação nem fio dental. Versões com açúcar favorecem a desmineralização dos dentes e estimulam bactérias associadas às cáries. O uso frequente e prolongado também pode causar dores na mandíbula, estalos articulares e agravar quadros de disfunção temporomandibular, conhecida como DTM. Na parte digestiva, a mastigação pode aumentar gases por ingestão involuntária de ar, e adoçantes como sorbitol e xilitol podem provocar diarreia em pessoas sensíveis.
Estudos também investigam efeitos da goma de mascar sobre atenção, alerta e desempenho cognitivo, com pesquisas das universidades de Cardiff e Sydney citadas na reportagem. No intestino, as evidências mais consistentes aparecem na recuperação gastrointestinal após cirurgias; fora desse contexto, especialistas dizem que não há dados suficientes para indicar melhora da função intestinal na população em geral. Pessoas com aparelho ortodôntico, braquetes ou alinhadores transparentes precisam ter cuidado extra, já que a goma pode deslocar componentes e causar lesões na mucosa bucal.
