Os próximos passos após suspensão vacinação contra dengue com imunizante do Butantan

O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante do Instituto Butantan, após o registro de 42 casos de reações severas, entre eles duas mortes, que ainda estão sob investigação. O ministro Alexandre Padilha afirmou que estados e municípios receberão orientação para interromper a aplicação. “Reforçaremos nessa reunião [após a coletiva com a redes municipais, de vigilância] a nota técnica para descontinuar de forma temporária a atual estratégia da vacina da dengue do Butantan”, disse.
Padilha também orientou que os municípios mantenham as doses em redes refrigeradas, mesmo sem uso durante a suspensão. A pasta informou que fará reuniões com as cidades onde a vacina entrou em aplicação para orientar uma busca ativa por novas queixas e analisar possíveis relações entre os casos locais e o imunizante.
O ministério passará a orientar o monitoramento ativo, na rede hospitalar, de casos de dengue em pessoas com vacinação recente, casos com sinais de alarme e óbitos. A indicação inclui acompanhamento por lote, unidade ou território. Até 30 de maio de 2026, a farmacovigilância registrou 3.703 notificações de eventos inesperados com sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a 0,7% do total de vacinados. Entre elas, 42 tiveram sinais de alarme, o equivalente a 0,008% dos vacinados; três casos entraram na classificação de graves, com duas mortes.
O Ministério da Saúde afirma que ainda não há relação de causalidade estabelecida entre a vacina e os óbitos. A Anvisa notificou o Instituto Butantan e deve convocar um comitê de especialistas para conduzir a investigação epidemiológica dos casos, em trabalho conjunto com o ministério, por meio do PNI, e o Butantan. Quem tomou a vacina nos últimos 21 dias deve procurar uma unidade de saúde local para acompanhamento e observar sinais como febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação e piora do estado geral. A medida não afeta a Qdenga, da Takeda, disponível no SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
