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Governo teme investigações mais amplas contra presidente

De Marina Dias na Folha.

O Palácio do Planalto avalia que a operação da Polícia Federal desta quinta-feira (29), que prendeu amigos e assessores de longa data do presidente, representa a escalada do cerco político que asfixia o governo e uma ampliação das investigações contra Michel Temer.

Na opinião de aliados, as prisões de integrantes de um núcleo tão próximo a Temer —somadas à quebra de sigilo bancário do presidente no início de março— podem contribuir para a montagem de um “enredo mais substancioso” que sirva de base para a apresentação de uma eventual terceira denúncia contra ele.

A operação desta quinta foi um pedido da Procuradoria-Geral da República e autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). E é justamente a PGR a responsável por apresentar denúncias contra o presidente. 

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A tese de auxiliares do presidente é de que será preciso apresentar informações muito mais concretas para dar credibilidade a uma eventual nova denúncia depois das falhas apontadas no fechamento do acordo de delação dos irmãos Batista, em 2017, do qual derivavam as principais acusações contra Temer.

O medo no Planalto é que o roteiro da PGR e do STF esteja indo por esse caminho.

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Apesar das notícias, Temer decidiu manter em sua agenda uma viagem a Vitória (ES) para a inauguração do novo aeroporto da cidade. A previsão é de que ele retorne a Brasília no início da tarde e se reúna com assessores para definir se é possível traçar uma nova estratégia política e jurídica diante dos acontecimentos.

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A primeira reação dos auxiliares de Temer foi classificar a operação de “absurda” e analisá-la como uma forma de criar obstáculos para a possível campanha à reeleição do presidente. 

Nos últimos dois meses, ele tem demonstrado disposição de disputar as eleições de outubro, porém, pontua com apenas 1% das intenções de voto, segundo o Datafolha.

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Michel Temer. Foto: Reprodução/YouTube/TVFolha