Grafites paulistanos vão da insatisfação à euforia com a Copa
A principal via que leva ao Itaquerão, estádio que recebeu a abertura da Copa do Mundo, em São Paulo, é margeada por quatro quilômetros de painéis de grafite. O muro, intitulado 4KM, foi pintado com imagens relacionadas ao futebol, à torcida brasileira e ao turismo na capital paulista. Inaugurado para o megaevento, o mural é uma iniciativa do governo do estado de São Paulo, com o apoio da Nike.
Já em outros pontos da cidade, é comum ver grafites e mensagens contra a Copa, que vão desde o típico Fifa, go home até elaboradas pinturas. Uma delas, a obra de Paulo Ito, ficou famosa pela crítica contundente ao Mundial.
A imagem, pintada no bairro da Pompeia, zona oeste, se tornou viral e rodou o mundo. Segundo o autor, a imagem do menino pobre, com uma bola de futebol dentro de um prato de comida vazio, “sintetizou o que muita gente estava sentindo”.
“Não estou dando uma resposta ou afirmando nada, até porque não é arte panfletária. Mas questiono, sim, quais são as nossas prioridades.” Paulo reconhece que houve avanços no combate à pobreza no país e reclama de uma “submissão do governo à Fifa”.
As diferentes formas de retratar a Copa pelos artistas de rua mostram os conflitos vividos pelos brasileiros em relação ao Mundial. Ao mesmo tempo em que há um clima de euforia, há também muita insatisfação com os investimentos públicos bilionários na Copa.
Para um dos curadores do projeto 4KM – o artista visual Diego Zéfix, de 29 anos – há espaço para todo tipo de grafite. “Cada um faz o que bem entender. Não é porque você está fazendo arte na rua que tem que protestar. Tem gente que gosta de pintura abstrata, fantástica ou até mesmo com temas do cotidiano. Não há uma obrigação ideológica. Seria muito chato, todo mundo com as mesmas ideias”, diz.
Zéfix se diz favorável à Copa e defende que o evento não é responsável pelas mazelas sociais do Brasil. “Eu gosto de futebol. O problema não é a Fifa, é o país mesmo. Se trouxe a Copa, vamos fazer direito”, argumenta.
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