Grávida lamenta morte do marido em chacina no Rio: “Não sou forte para vê-lo morto”

No pátio do Instituto Médico-Legal, no Centro do Rio, a viúva Karen Beatriz recebeu uma pulseira prateada entregue em um saco plástico e afirmou: “só restou isso dele”, em referência ao marido morto na megaoperação que deixou 121 corpos nos complexos da Penha e do Alemão. Grávida de um mês, ela disse que “não vai ser forte para ver ele morto”, explicando que o cunhado fará o reconhecimento porque o corpo está desfigurado, com um tiro na cabeça.
Segundo relatos dela, o marido, Wagner Nunes Santana, de 33 anos, trabalhava como pintor durante o dia e se envolvia com o tráfico à noite. Karen contou que ele cuidava de sua filha de nove anos “como se fosse filha dele” e que, com a gravidez, falava em deixar o crime. Ela afirmou que “faltou oportunidade” e declarou que preso “tá guardado”, argumentando que gostaria de entender “de onde vem essa pena de morte”.
Registros do Tribunal de Justiça do Rio mostram que Wagner respondia a um processo por tentativa de feminicídio desde 2023, após esfaquear a mãe de uma ex-companheira diante de quatro crianças. Um mandado de prisão preventiva estava expedido pelo Banco Nacional de Mandados de Prisão, e um habeas corpus foi negado pela Terceira Câmara Criminal, que considerou a custódia necessária para a garantia da ordem pública.
