VÍDEO: delação de Gritzbach revela suposta tentativa de extorsão de R$ 30 milhões envolvendo policiais em SP

Quatro meses antes de morrer fuzilado no Aeroporto de Guarulhos, o corretor de imóveis Antônio Vinícius Gritzbach relatou a promotores do Gaeco, do Ministério Público de São Paulo, uma suposta tentativa de extorsão praticada por agentes públicos. Em vídeo obtido pelo Metrópoles, ele aparece em reunião de 16 de julho de 2024, no contexto da colaboração premiada homologada pela Justiça em abril daquele ano. Com informações de Metrópoles.
Segundo Gritzbach, o pedido de propina ocorreu durante investigação do DHPP sobre as mortes de Anselmo Becheli Santa Fausta, o Cara Preta, e Antônio Corona Neto, o Sem Sangue, ambos ligados ao PCC. O corretor citou o delegado Fábio Baena e Eduardo Monteiro, chefe dos investigadores da equipe. Ele afirmou que o delegado indicou o advogado Ivelson Saloto: “O advogado foi indicado pelo próprio delegado”. Dias depois, segundo o relato, Saloto teria dito que “o Eduardo e o Baena pediram uma quantia de R$ 30, R$ 40 milhões”.
Gritzbach disse aos promotores que a cobrança envolvia a suposta existência de um pendrive com chaves de acesso a valores em criptomoedas, mas negou possuir o dispositivo e o dinheiro. “Eu disse que eu não tinha esse pendrive e não possuía esse valor”, afirmou. Ele também relatou que policiais ficaram com bens seus no curso da investigação, entre eles um sítio em Biritiba Mirim, comprado por cerca de R$ 1,5 milhão, e relógios de luxo.
O corretor afirmou que 14 relógios foram levados durante sua prisão temporária, mas apenas dez retornaram. “Foram quatro Hublot que eles subtraíram”, disse, estimando os itens em R$ 180 mil. Baena e Monteiro acabaram presos em 17 de dezembro de 2024 em operação conjunta da Polícia Federal e do MPSP ligada à delação de Gritzbach; Baena teve a prisão revogada em 31 de março, por decisão do ministro Gilmar Mendes, com medidas cautelares.
