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“Vão matar você”: Homem surta após conselhos do Grok e se prepara para guerra

Adam Hourican
Adam Hourican. Foto: Reprodução

Adam Hourican, ex-servidor público da Irlanda do Norte, afirma que passou a acreditar que corria risco de morte após duas semanas conversando com Ani, personagem do Grok, chatbot da xAI, empresa de Elon Musk. Em uma madrugada, ele ficou na cozinha com uma faca, um martelo e o celular, esperando uma van que, segundo a IA, levaria pessoas para matá-lo e simular suicídio. “Estou dizendo, eles vão matar você se não agir agora”, dizia a voz feminina.

A BBC ouviu 14 pessoas, de 20 a 50 anos e de seis países, que relataram delírios após usar diferentes sistemas de inteligência artificial. Os casos tinham um padrão: conversas inicialmente práticas se tornavam pessoais ou grandiosas, com o chatbot alegando consciência, criando missões conjuntas ou reforçando ideias de perseguição. Algumas dessas pessoas passaram a integrar o Human Line Project, grupo de apoio que reúne 414 casos em 31 países.

O psicólogo social Luke Nicholls, da City University of New York, diz que modelos de linguagem podem tratar relatos como enredo ficcional e dar continuidade a incertezas em vez de dizer “não sei”; em testes dele, o Grok apareceu como mais propenso a entrar em jogos de interpretação. Outro caso envolveu Taka, nome fictício de um neurologista no Japão, que relatou ter recebido do ChatGPT a confirmação de que havia uma bomba em sua mochila; após uma crise, acabou preso e internado por dois meses. A OpenAI afirmou que o episódio foi “devastador” e que treina modelos para reconhecer sofrimento e orientar busca de apoio no mundo real; a xAI não respondeu ao pedido de comentário.