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Grupo cobrava R$ 24 por 24 horas de oração “no monte” em esquema de estelionato no WhatsApp

Agentes realizam cumprimento de mandados de busca e apreensão na Casa dos Milagres, em Niterói. Foto: Reprodução

Um esquema de exploração da fé de fiéis foi desarticulado nesta quarta-feira (25) na Operação Blasfêmia, conduzida pela Polícia Civil do Rio e pelo Ministério Público do Estado. O alvo principal foi Luiz Henrique dos Santos Ferreira, conhecido como profeta Henrique Santini, líder religioso com mais de oito milhões de seguidores nas redes sociais.

Segundo as investigações, um call center em Niterói era usado para cobrar contribuições em dinheiro de seguidores em troca de promessas de curas e milagres. Mensagens enviadas por atendentes, que fingiam ser o próprio Santini, solicitavam valores de até R$ 1,5 mil por oração, pagos via Pix.

O grupo, que movimentou cerca de R$ 3,3 milhões em dois anos, utilizava contas bancárias de terceiros para dificultar o rastreamento e remunerava operadores de telemarketing por metas de arrecadação. Áudios divulgados mostram a pressão sobre fiéis, incluindo pessoas em situação de extrema vulnerabilidade que relatavam não ter comida em casa, mas ainda assim eram incentivadas a contribuir financeiramente.

No total, 22 pessoas foram denunciadas junto com Santini. A Justiça determinou bloqueio de contas e sequestro de bens ligados ao grupo e a empresas associadas. Também há indícios de que adolescentes foram cooptados para participar do esquema. Segundo a Polícia Civil, o caso ultrapassa os limites da liberdade religiosa, transformando práticas de fé em crime de estelionato e exploração econômica.