Apoie o DCM

Guerra muda hábitos de animais na zona de Chernobyl, aponta estudo

Raposa-vermelha em área de vegetação
Raposa-vermelha em área de vegetação. Foto: Reprodução

A ocupação russa da Zona de Exclusão de Chernobyl, na Ucrânia, alterou o comportamento de mamíferos que vivem nos arredores da antiga usina nuclear, segundo um estudo publicado em junho na revista Science. A região, esvaziada após o acidente nuclear de 1986, havia se tornado um refúgio de vida selvagem com a redução quase total da presença humana, mas voltou a sofrer forte interferência durante a invasão russa.

Pesquisadores da Universidade de Freiburg, na Alemanha, compararam imagens de armadilhas fotográficas registradas antes, durante e depois dos 36 dias de ocupação militar, entre fevereiro e abril de 2022. Os registros mostraram respostas diferentes entre as espécies: veados-vermelhos e raposas-vermelhas passaram a aparecer mais durante o dia, corças foram detectadas com menos frequência conforme aumentava a intensidade das operações militares, e lebres-pardas circularam mais à noite em dias com incêndios associados ao conflito. Lobos-cinzentos e linces-eurasiáticos tiveram poucas alterações detectáveis.

A pesquisa analisou 11 espécies de mamíferos e cruzou os registros das câmeras com um índice diário de intensidade do conflito, elaborado a partir de relatos de trabalhadores da usina e moradores sobre comboios militares, artilharia, bombardeios e ataques aéreos. “Nossos resultados mostram que os padrões de atividade diária dos mamíferos, particularmente sua atividade noturna, mudaram durante a intensificação do conflito armado”, afirmou o biólogo Marco Heurich, coautor do estudo. Os autores ressaltam que ainda não sabem se essas mudanças terão efeitos duradouros sobre as populações de animais.