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Guilherme Boulos admite que tem disposição para concorrer ao cargo de presidente

Reportagem de Cátia Seabra na Folha.

Coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos admite a disposição de concorrer à Presidência pelo PSOL. Segundo Boulos, “avançou-se bastante nos debates junto ao PSOL para que se possa consolidar uma candidatura”. A decisão será anunciada em março.

“Se esse entendimento confluir para uma candidatura, eu vou assumir”, diz.

Aos 35 anos –idade mínima para registro de candidatura presidencial–, ele rechaça a hipótese de aliança com o PT. “Não está colocado.”

A eleição presidencial caminha para uma fragmentação inédita da esquerda, com candidatos de PT, PC do B, PDT e PSOL.

(…)

O sr. está disposto a concorrer?
Avançou-se bastante nos debates junto ao PSOL para consolidar uma candidatura. Não tomo definições como essa sozinho. O MTST tem instâncias e uma decisão importante como essa precisa passar por esses passos.

Concluído todo esse processo, o sr. estaria disposto?
Se o entendimento do MTST for de que isso contribui para o movimento e para o projeto em que acreditamos, se esse entendimento se consolidar junto a outros movimentos com que temos relação muito próxima e também junto ao PSOL, dentro da perspectiva de construir um projeto de esquerda para Brasil, seguramente.

Seguramente, o quê?
Se esse entendimento confluir para uma candidatura, eu vou assumir.

Embora apoie atos pelo direito de Lula concorrer, o sr. não participa dos eventos que lançam a candidatura dele.
O MTST e a Frente Povo Sem Medo têm estado na linha de frente pelo direito de Lula ser candidato. Na esquerda, há espaço para unidade. Neste momento, toda esquerda e o campo progressivo têm que estar unidos contra a reforma da Previdência, contra o golpe e contra a perseguição ao Lula. Mas também há diversidade. E a diversidade da esquerda, de opiniões e propostas, não pode ser anulada.

O sr. havia dito que dificilmente concorreria contra Lula. Acha, então, que ele não conseguirá disputar? 
Tenho maior respeito pela trajetória de Lula e a clareza de que sua condenação é injusta e sem prova. Minha defesa é do direito de ele ser candidato.

(…)

O seu sogro [metalúrgico filiado ao PSOL] acha que sua eleição seria difícil. O sr. tem esse entendimento?
Claro, ué. Esta será a eleição mais imprevisível desde 1989. Tivemos um golpe. Há um jogo pesado para que as candidaturas do establishment ganhem, que inclui até tentar tirar o Lula do processo. Só que o lado de lá também tem problemas. Que nome eles têm? É o Bolsonaro? o Bolsonaro não dura duas semanas. É o Geraldo Alckmin, que empurram, empurram e não decola? É o Luciano Huck, o candidato da Globo, de programa de auditório, para governar o Brasil? Esta eleição não será fácil nem para um projeto de esquerda nem para aqueles que deram o golpe.

O sr pretende amenizar sua imagem, que é de duro e agressivo, para uma campanha?
As pessoas são injustas com a minha imagem. Não sou duro, nem agressivo. Brinco com minhas filhas. Tomo cerveja com amigos. Mas também não vou mudar o que sou.

Guilherme Boulos. Foto: Mídia Ninja