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Haddad: candidatura de Lula deve ser levada “até as últimas consequências”

Ex-prefeito falou com os jornalistas Bernardo Barbosa e Nathan Lopes do portal UOL do Grupo Folha.

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“Acredito que a estratégia correta é levar essa discussão até as últimas consequências. Porque como é que você vai aceitar passivamente? Primeiro, cabe recurso. Não estamos falando de uma sentença transitada em julgado. Estamos falando de uma sentença de segunda instância que cabe recurso”, afirmou.

Haddad se disse convencido de que “não há evidência de crime, muito menos provas” contra Lula no caso do tríplex.

“Por que vamos deixar de defender uma pessoa em que tanta gente confia?”, disse. “Não é razoável ganhar uma eleição presidencial por W.O.”.

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“Não é possível presidir a República na situação atual sem bagagem. Você não tem gordura para queimar. Você não tem margem de erro. Não existe margem de erro. Você tem que acertar todas para tirar o país dessa situação. Por muito tempo. Então é preciso cautela. Nós não podemos nos aventurar.”

Segundo colocado nas principais pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial, atrás de Lula, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) cumpre atualmente seu sétimo mandato na Câmara, mas jamais exerceu cargos no Executivo.

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Haddad voltou a negar que será candidato este ano e disse que se dedicará exclusivamente à elaboração do programa de governo para a campanha de Lula.

Quando perguntado se pensa em ser presidente da Repúbilca um dia, o ex-ministro considerou que responder a questão seria “arrogante”.

“Não funciona assim na prática. O que teve de gente que quis ser [presidente], que se achava predestinado a ser e terminou mal, né?”, disse.

“Acho um pouco arrogante demais responder a uma pergunta dessa. O que não significa que você não possa ter suas ambições políticas. Mas, nesse plano, eu acho que é um processo histórico de outra natureza. Que envolve ambições pessoais, mas está muito além de um desejo de vida.”

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Haddad confirmou que uma nova “Carta ao povo brasileiro”, assinada por Lula, deve ser divulgada em fevereiro. Nas eleições de 2002, Lula divulgou uma mensagem com este título que, na verdade, buscava acalmar o mercado financeiro –em polvorosa às vésperas de sua primeira vitória nas urnas– e garantir que assumiria compromissos macroeconômicos.

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Haddad também não se aprofundou em possíveis temas do programa de governo, mas citou três temas que estão em debate: envolvimento federal no ensino médio, situação fiscal dos Estados e segurança pública.

Segundo o ex-ministro da Educação nos governos Lula e Dilma, o ex-presidente quer que “no programa de governo conste textualmente, claramente, uma forma de parceria de intervenção da União no ensino médio para resgatar a educação da juventude”.

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Fernando Haddad. Foto: Pedro Zambarda/DCM