Até onde vale ir para ficar “bonito”? Trend leva jovens a esteroides e pancadas na mandíbula

O professor da Faculdade de Medicina de Harvard Roberto Olivardia alertou para o avanço do looksmaxxing, subcultura digital que prega a maximização da aparência masculina. Coautor de “O Complexo de Adônis”, ele afirmou que as redes sociais agravaram a obsessão corporal e levaram pacientes cada vez mais jovens ao consultório.
Segundo Olivardia, a busca por traços associados à masculinidade pode incentivar práticas como martelar a mandíbula, recorrer a cirurgias estéticas radicais e usar esteroides anabolizantes. O especialista relatou já ter atendido meninos de 11 e 12 anos que usavam anabolizantes e adotavam condutas prejudiciais ao corpo. “Com o looksmaxxing, em particular, a situação foi muito além, partindo para práticas muito perigosas e puramente prejudiciais”, disse.
Para o pesquisador, a machosfera e influenciadores que difundem ideias misóginas alimentam a falsa promessa de que uma aparência perfeita evitará rejeições e garantirá respeito ou relacionamentos. Ele recomendou que pais procurem entender quais perfis os filhos acompanham antes de condená-los e alertou que a repetição dessas mensagens pode normalizar comportamentos nocivos.
