Haverá uma carnificina se demandas de PCC e Comando Vermelho não forem atendidas, diz socióloga
Da socióloga Camila Nunes Dias, professora da Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Paulo, sobre as rebeliões em presídios que deixaram, até o momento, dezoito mortos:
BBC Brasil – O que o poder público pode fazer diante da ruptura entre as facções?
Dias – Em termos imediatos, atender às demandas por transferências de presos, porque se não atender vai haver uma carnificina, como em Roraima e Rondônia. No longo prazo, se quiser enfrentar o problema, não poderá fugir de uma política de descarcerização.
A resposta do poder público nas últimas décadas tem sido sempre equivocada. Constróem-se mais prisões, mas esse investimento não vem acompanhado de investimentos no sistema penal como um todo, como na contratação de agentes de segurança. Houve um aumento gigantesco da população carcerária e também um aumento na relação entre presos e funcionários. Em prisões de São Paulo, temos muitas vezes um funcionário para cada 300 presos, situação que se reproduz em outras partes do país.
