Homem que desviava dinheiro de ganhador da Mega-Sena mora no condomínio de Bolsonaro

Publicado em 14 dezembro, 2019 1:43 am
André Luiz Lobo

Do Extra:

A vida de um ex-morador da Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte do Rio, mudou da água para o vinho desde 2017, quando ele ganhou um prêmio de mais de R$ 100 milhões na Mega-sena.

Nesta quinta-feira, os holofotes se voltaram novamente para sua história, quando um amigo, André Luiz Lobo, de 39 anos, a quem ele confiou a tarefa de administrar toda sua fortuna, foi preso, acusado de desviar grandes quantias em dinheiro e imóveis, para o seu nome e para o nome de parentes — o esquema foi descoberto pelo milionário quando o homem começou a aparecer com roupas e acessórios de luxo, e iniciou uma obra de R$ 4,5 milhões num condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca.

Nesta sexta-feira, policiais civis da Delegacia de Defraudações (DDEF) foram à residência de André, no Vivendas da Barra [o condomínio onde vivem Bolsonaro e seu filho Carlos], onde apreenderam documentos, computadores e passaporte, e descobriram mais detalhes sobre a trama.

Os investigadores já sabem que André se aproximou do ganhador da Mega-sena por ser irmão de um amigo seu de infância, que vinha trabalhando como motorista do afortunado.

A polícia já sabe que ele foi indicado pelo irmão para o cargo de confiança após um primeiro golpe que o milionário teria recebido, logo que ganhou a bolada, em 2017: ao contar ao pastor de sua igreja, no Complexo da Penha, que havia acertado os números na loteria, o religioso indicou um primeiro administrador, que, assim como o André fizera agora, lhe passou a perna.

O esquema de desvio de dinheiro e imóveis supostamente feito por André foi descoberto de vez pelo amigo quando um pintor que fazia uma obra em sua casa comentou que também estava trabalhando numa grande construção na residência de André, e que um detalhe curioso também chamava atenção.

— De um tempo para cá, ele começou a desconfiar do André, pelo comportamento, pelas roupas que ele vinha usando, ele disse que havia descoberto até uma coleção de (relógios) Rolex, e aí começou a achar estranho, porque era incompatível com seu salário, de cerca de R$ 12 mil. O ápice da história foi quando um pintor que trabalhava em sua casa comentou inocentemente que estava trabalhando também na obra da casa do André, e que estava ficando muito bonita. Ele acrescentou que a piscina, inclusive, era igual. Foi aí que ele chamou um advogado para levantar tudo — revelou o delegado Marcos Cipriano, delegado titular da DDEF. (….)

 

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