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Homenagem na Câmara à vereadora morta vira ato contra intervenção e governo Temer

Do Estadão:

Uma sessão solene na Câmara dos Deputados em homenagem à vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e ao motorista Anderson Gomes, assassinados na quarta-feira 14 no Rio de Janeiro, se transformou em ato contra a intervenção federal no Estado e contra o governo Michel Temer. Ela foi presidida pelo presidente da Casa e pré-candidato à presidência da República, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que foi hostilizado durante a cerimônia.

A homenagem começou com um cortejo pelo corredor principal da Câmara, onde militantes carregavam girassóis e uma faixa com frase: “Marielle presente, Anderson presente: Transformar o luto em luta”. Ao entrar no plenário, os militantes ergueram cartazes contra a intervenção militar e com fotos da vereadora.

Militantes de esquerda ocuparam todo o plenário e, durante os discursos, não pararam de gritar palavras de ordem pedindo o fim da Polícia Militar, da intervenção na segurança pública no Rio de Janeiro, “Fora, Temer”, “Fora, Maia”, “Fora, Bolsonaro”, “Fascistas não passarão” e “Golpistas”. Líder da bancada da bala, o deputado Alberto Fraga (DEM-DF) também foi hostilizado no plenário.

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A deputada Maria do Rosário (PT-RS) comparou a morte da vereadora aos assassinatos dos ambientalistas Dorothy Stang e Chico Mendes. “Basta aos que discursam propagando o ódio”, pregou, sob os aplausos da plateia. “Os que puxam o gatilho são os que fomentam o ódio”, completou. Ao contrário do discurso do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), que foi mal recebido pelos presentes, as declarações da petista Érika Kokay (PT-DF) foram aclamadas pelo plenário. “Essa bala foi apertada pelo Parlamento deste País”, disse a deputada.

Visivelmente abalado, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) também discursou. “Perdi uma companheira de luta, estamos aos pedaços, mas não vamos esquecer”, disse. O deputado, apoiado pelo PT, PCdoB, PSB e PSOL, encaminhou a Maia um pedido de criação de uma comissão externa para acompanhar as investigações dos assassinatos, solicitação que foi atendida pelo presidente da Casa.

Apesar de ter sido chamado de “golpista” em vários momentos, Maia deixou o evento minimizando as hostilidades. “Eu entendo que o importante é que o direito da manifestação está colocado, para a gente ouvir críticas e elogios com muito equilíbrio”, respondeu. Durante os momentos mais tensos da cerimônia, Maia chegou a ser aconselhado por seguranças a abandonar o evento, mas ele fez questão de seguir no comando da sessão solene.