Homens da tropa de elite da PM promovem treinamento para turistas em resort de Búzios

Do O Globo:
Resgate de feridos, interrogatório, arremessos de facas e granadas e prática de arco e flecha. Cada uma dessas atividades faz parte da “Experiência do Bope”, um pacote turístico inspirado na rotina do Batalhão de Operações Especiais, tropa de elite da Polícia Militar. O evento vai acontecer num hotel de luxo em Búzios, na Região dos Lagos, de sexta-feira a domingo. Pelo direito de ser “caveira” por um fim de semana, o interessado, de acordo com um site de hotéis, tem que desembolsar R$ 999, valor para dois adultos. Crianças de até 11 anos também podem participar e não pagam. A hospedagem é por fora — o apartamento triplo custa R$ 1.569, que podem ser parcelados em 12 vezes sem juros. O major Ivan Souza Blaz Junior, porta-voz da PM, e Luciano Pedro Barbosa da Silva, da mesma patente, se apresentam como os responsáveis pela iniciativa. Pela internet, o próprio Blaz afirma ter constituído a SK EX Gestão e Aceleração de Equipes, mas ontem não respondeu se é sócio da empresa. Pelo nome, não foi possível localizar o CNPJ ou composição societária da firma. Pelo Código Penal Militar, eles podem ser sócios de empresas, mas não sócios-gerentes.
O evento que explora o conceito de turismo de experiência é vendido em parceria com um site de hotéis. Além das atividades com os “caveiras”, os compradores também têm direito a alimentação completa, kit de boas-vindas (mochila, boné, camisa, caneta e chocolate, entre outros mimos). Também está previsto um show que segue a proposta original de pegar carona na popularidade do Bope: o convidado é o cantor Egypcio, ex-integrante do Tihuana, grupo que ficou famoso com o refrão “Tropa de elite/ Osso duro de roer”, tema do filme “Tropa de elite”, de José Padilha, lançado em 2007.
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Procurados, os dois oficiais afirmaram que apenas a Polícia Militar se manifestaria sobre o o assunto. A assessoria de imprensa da corporação, por sua vez, disse que não foi possível falar com o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Wolney Dias. Atualmente, a PM, responsável pelo policiamento ostensivo, vive uma das suas piores crises, no rastro dos problemas financeiros do estado. Embora os salários dos servidores da segurança pública estejam sendo priorizados, metade das viaturas policiais está parada por falta de verba para manutenção.
