Apoie o DCM

“Homicídios ocultos”: as 7 mil mortes fora das estatísticas oficiais

Sombra de mãos em fundo vermelho
Imagem ilustrativa. Foto: Reprodução/Agência Brasil

O número de homicídios ocultos no Brasil quase dobrou entre 2023 e 2024, segundo o Atlas da Violência divulgado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os casos passaram de 3.755 para 7.083, alta de 88%. A categoria considera mortes violentas por causa indeterminada em que não é possível apontar se a vítima morreu por homicídio, suicídio ou acidente. Entre 2014 e 2024, o país registrou 55.212 homicídios ocultos, média de 5.019 por ano. Com informações do UOL.

Em 2024, o Ministério da Saúde registrou 42.590 mortes violentas intencionais, com taxa de 20,1 homicídios por 100 mil habitantes, o menor patamar da série iniciada em 2014. O próprio Atlas, porém, afirma que parte da queda pode estar relacionada à piora na classificação dos dados de saúde. Em dez estados, a alta dos homicídios ocultos passou de 200%, incluindo Minas Gerais, Rio de Janeiro, Alagoas, Amazonas, Santa Catarina, Sergipe, Ceará, Roraima, Amapá e Tocantins.

Especialistas apontam hipóteses como falhas no preenchimento das declarações de óbito, digitação incorreta nos sistemas estaduais e falta de integração entre polícia e saúde. O Ministério da Justiça afirmou que publicou uma portaria com critérios nacionais para índices de elucidação, resolução e instauração de homicídios e feminicídios, além de prever envio mensal de informações ao Sinesp. O órgão também informou que está doando R$ 201 milhões em equipamentos aos estados para aumentar a taxa de elucidação dos homicídios.