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Horário de verão: benéfico ou prejudicial à saúde? Saiba o que diz um megaestudo

Horário de verão não vigora mais no Brasil. Foto: reprodução

Um estudo publicado na revista PNAS revela que a eliminação do horário de verão nos Estados Unidos, como aconteceu no Brasil em 2019, poderia prevenir mais de 300 mil acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e reduzir em 2,6 milhões os casos de obesidade no país. A pesquisa analisou dados de mais de 300 milhões de estadunidenses, simulando os efeitos da mudança horária no sistema circadiano humano.

O problema central está na “sobrecarga circadiana” causada pela alteração abrupta de horários. Jamie Zeitzer, coautor do estudo, explica: “Você está lidando com um risco raro como ganhar na loteria. Mas se 350 milhões de pessoas apostarem, alguém ganhará – só que não é um prêmio desejável”. O sistema circadiano, que regula sono e metabolismo, é sensível a mudanças na exposição à luz.

A pesquisa comparou três cenários: horário padrão permanente, horário de verão permanente e troca contínua. A alternância atual mostrou-se a mais prejudicial, enquanto o horário padrão permanente traria maiores benefícios à saúde. Mesmo o horário de verão permanente reduziria 1,7 milhão de casos de obesidade e 220 mil AVCs.

Estudos anteriores já vinculavam a perturbação circadiana a acidentes de trânsito, ataques cardíacos e estresse metabólico. O Brasil abandonou o horário de verão em 2019, enquanto os EUA mantêm a prática desde 1918, apesar dos riscos comprovados à saúde pública.