Hospital erra diagnóstico e paciente faz quimioterapia sem câncer

A Justiça de São Paulo condenou o governo estadual a indenizar em R$ 50 mil um paciente que recebeu quimioterapia indevidamente após um erro de diagnóstico no Hospital das Clínicas da Unicamp, em Campinas. Em 2020, o hospital diagnosticou o homem com linfoma não Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático.
Segundo a coluna de Rogério Gentile na Folha de S.Paulo, ele foi submetido a sessões de quimioterapia após o exame, mas uma perícia judicial comprovou que o diagnóstico estava errado. O laudo do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo apontou que o setor de anatomia patológica da Unicamp não havia sido informado de que o paciente tinha uma doença autoimune, o que levou à conclusão equivocada de um câncer.
O tratamento provocou efeitos colaterais graves, como dores, náuseas, tonturas e neutropenia febril. O advogado do paciente argumentou que ele foi vítima de atendimento negligente e que o sofrimento físico e emocional foi intenso.
O governo de São Paulo tentou se eximir da responsabilidade, alegando que a Unicamp tem gestão autônoma e que o atendimento seguiu protocolos médicos reconhecidos. No entanto, o juiz Francisco Magdalena, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Campinas, rejeitou o argumento e considerou o Estado responsável pela falha. Segundo a sentença, o erro primário no diagnóstico resultou em um tratamento invasivo e desnecessário.
