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Humanos comiam pombos em rituais há 3 mil anos; entenda

Pessoas cozinhando com pombos. Foto: gerada por IA

Pombos-das-rochas, conhecidos hoje como pombos comuns, conviviam com comunidades humanas e eram consumidos em rituais há mais de 3 mil anos, segundo estudo publicado na revista “Antiquity”. A pesquisa analisou ossos de aves encontrados em Hala Sultan Tekke, assentamento costeiro no Chipre, e sugere que os animais viviam em uma relação de semi-domesticação com os humanos, e não apenas catavam restos perto das casas.

Os pesquisadores encontraram ossos de pombos queimados junto a restos de outros animais carbonizados em áreas identificadas como espaços de banquetes rituais, com altar, mesa de pedra e cerâmicas usadas para servir alimentos. Segundo os autores, a localização dos ossos em poços dentro de espaços sagrados indica que o consumo das aves não era cotidiano, mas simbólico, ligado a práticas religiosas e sociais da Idade do Bronze em Chipre.

As análises também apontam que os pombos compartilhavam espaços e dietas com os humanos, consumindo grãos e alimentos semelhantes aos das comunidades locais. A presença de filhotes e a dieta restrita indicam que as aves viviam dentro do assentamento, reproduziam-se ali e usavam paredes altas como locais de ninho, o que reforça a hipótese de manejo intencional. Para os pesquisadores, essa pode ser uma das evidências mais antigas de relação próxima entre humanos e pombos no Mediterrâneo Oriental, cerca de mil anos antes do que se imaginava.