Por que atletas não conseguem segurar o cocô durante provas intensas

Casos de incontinência fecal durante provas de alto rendimento podem parecer raros, mas fazem parte de um conjunto de problemas gastrointestinais enfrentados por atletas submetidos a esforço extremo. O tema voltou à tona após a australiana Joanna Wietrzyk vencer uma competição da Hyrox em Pequim mesmo depois de sofrer um episódio desse tipo. Durante exercícios intensos e prolongados, o organismo direciona mais sangue para os músculos, reduzindo a circulação no sistema digestivo e tornando a digestão menos eficiente.
A combinação de menor fluxo sanguíneo, impacto repetitivo dos movimentos e alterações no funcionamento intestinal pode acelerar a passagem do conteúdo pelo intestino e comprometer o controle do esfíncter. Alimentação pesada, mudanças bruscas na dieta e suplementos energéticos com cafeína também podem aumentar o risco de cólicas, diarreia, náusea e urgência para evacuar durante a atividade física. Pesquisas apontam ainda que mulheres podem apresentar vulnerabilidade maior em razão de fatores ligados ao assoalho pélvico, gravidez e alterações hormonais.
O problema já atingiu nomes conhecidos do esporte. A britânica Paula Radcliffe interrompeu por poucos segundos a Maratona de Londres de 2005 para evacuar e, ainda assim, venceu a prova. O francês Yohann Diniz sofreu diarreia e chegou a desmaiar durante os 50 km da marcha atlética na Olimpíada do Rio, em 2016, mas terminou em oitavo lugar. Especialistas recomendam hidratação adequada, evitar alimentos desconhecidos antes de competições e adotar o chamado “treinamento intestinal”, estratégia usada para acostumar o organismo à ingestão de carboidratos durante esforços prolongados.
