Apoie o DCM

IA e segurança pública: o risco de transformar bairros pobres em laboratório de vigilância

Policial olha para mapa no painel eletrônico. Foto: Reprodução

A expansão da inteligência artificial em segurança pública tem despertado preocupação entre especialistas. Sistemas de reconhecimento facial e monitoramento inteligente estão sendo testados em áreas urbanas, especialmente em bairros de baixa renda. O risco é transformar essas regiões em laboratórios de vigilância.

Pesquisadores alertam que tecnologias de IA costumam reproduzir vieses existentes. Em contextos marcados por desigualdade racial e social, isso pode levar a abordagens indevidas, falsos positivos e aumento da repressão. Casos internacionais mostram impactos graves sobre grupos vulneráveis.

Governadores e secretários de segurança defendem as ferramentas como solução moderna para reduzir criminalidade. Mas críticos afirmam que faltam estudos sobre eficácia real. Além disso, muitos sistemas são fornecidos por empresas privadas com pouca transparência sobre funcionamento dos algoritmos.

O uso dessas tecnologias também cria dilemas sobre privacidade. Moradores não são consultados e não sabem como seus dados são armazenados ou compartilhados. A ausência de regulação clara abre brechas para abusos. Estados se antecipam à legislação e atuam sem supervisão federal.