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IA erra reconhecimento facial e mulher passa 5 meses presa injustamente

Angela Lipps dando entrada na prisão. Foto: Reprodução

Uma mulher de 50 anos ficou presa por mais de cinco meses nos Estados Unidos após ser identificada de forma equivocada por um sistema de reconhecimento facial com inteligência artificial. O caso envolve Angela Lipps, moradora do Tennessee, que foi apontada como suspeita de fraude bancária na cidade de Fargo, na Dakota do Norte, apesar de afirmar que nunca esteve no local. A prisão ocorreu após a emissão de mandado com base na análise de imagens feita pela tecnologia.

A identificação foi realizada a partir de dados do sistema Clearview AI, que utiliza imagens coletadas da internet. Segundo investigadores, características físicas e semelhanças visuais levaram à inclusão da mulher como suspeita. Angela foi detida em casa no dia 14 de julho e permaneceu presa inicialmente no Tennessee por três meses, sendo depois transferida para Fargo, onde ficou por mais dois meses. A defesa apresentou provas de que ela não estava na cidade no período dos crimes, entre abril e maio, e a Justiça determinou o arquivamento das acusações na véspera do Natal.

Após ser libertada, Angela relatou consequências pessoais decorrentes do período em que esteve presa. Segundo a defesa, “o trauma, a perda de liberdade e os danos à reputação não podem ser facilmente reparados”. A mulher afirma que perdeu a casa, o carro e o cachorro durante o período. As autoridades reconheceram que houve falhas no processo de investigação, e os advogados avaliam a possibilidade de ação judicial por violação de direitos.