IA acelera trabalho jurídico nos EUA, e clientes cobram desconto em honorários

Grandes escritórios de advocacia dos Estados Unidos aceleraram a adoção de inteligência artificial para automatizar tarefas como análise de transações, elaboração de documentos para ofertas públicas de ações e relatórios de auditoria. Sullivan & Cromwell, Cooley e Ropes & Gray estão entre as bancas que anunciaram ferramentas próprias, em meio aos lançamentos de plataformas jurídicas por empresas como OpenAI, Google e Anthropic.
A tecnologia, porém, abriu uma disputa sobre honorários. Clientes passaram a questionar se o ganho de eficiência deve reduzir o valor das faturas e, em alguns casos, usam agentes de IA para apontar tarefas que poderiam ter sido feitas em menos tempo. Jennifer Leonard, fundadora da Creative Lawyers, afirmou que clientes retiram esses itens das cobranças e pedem desconto. Equipes jurídicas internas têm solicitado reduções gerais de 20% a 30%, segundo Kyle Poe, da empresa Legora.
Os escritórios resistem porque afirmam que a IA ainda não corta tantas horas de trabalho e desloca profissionais de tarefas repetitivas para análises mais complexas. Mesmo assim, 35% dos 55 grandes escritórios ouvidos pelo Citi esperavam mudar o modelo de cobrança por hora em até um ano devido à tecnologia; outros 65% projetavam mudanças até 2035. A tendência é ampliar preços fixos e cobranças por projeto em serviços previsíveis, enquanto estratégia, negociação e representação devem manter a remuneração por hora.
