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A pressão sobre os jovens no mercado de trabalho causada pelas IAs

Jovens em sala de computação. Foto: reprodução

Empresas de inteligência artificial prometem ferramentas capazes de substituir parte da mão de obra humana, enquanto líderes corporativos ampliam investimentos para reduzir custos e aumentar produtividade. A pressão já chegou ao debate sobre contratações: investidores questionam se novas tarefas exigem funcionários ou “agentes de IA”, sistemas virtuais que executam funções específicas. Economistas ganhadores do Nobel alertaram recentemente que o mundo “precisa agir agora” para evitar deslocamento de trabalhadores em larga escala.

Na área de software, modelos de linguagem evoluíram rapidamente. Há três anos, eles executavam com confiabilidade tarefas que humanos concluíam em segundos ou minutos; agora já conseguem realizar atividades complexas de cerca de uma hora. Alguns modelos identificam falhas em contratos de criptomoedas e otimizam o próprio sistema, enquanto padrões semelhantes começam a aparecer em análise financeira, trabalhos jurídicos preliminares e funções iniciais da indústria criativa.

Uma análise da Universidade de Stanford, na Califórnia, aponta queda de 2,7% no emprego de jovens de 22 a 25 anos desde a popularização do ChatGPT. Nos setores mais expostos à IA, como finanças, software e indústria criativa, o recuo chega a 12,8%. Parte dos economistas contesta a relação direta e afirma que fatores como juros altos também podem explicar a redução.

A OCDE também analisou ofertas de emprego online e comparou áreas muito expostas, como telemarketing e serviços jurídicos, com setores menos expostos, como construção civil, limpeza e preparação de alimentos. No Reino Unido, o impacto apareceu mesmo em período de juros estáveis ou em queda. Ao mesmo tempo, empresas passaram a racionar o uso de modelos avançados por causa de contas elevadas com tokens, enquanto parte delas migra para alternativas mais baratas derivadas de modelos chineses disponibilizados gratuitamente.