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“Reflete os nossos preconceitos”: como a IA dificulta a contratação de mulheres

Stacey Duguid, profissional que relatou dificuldades para retornar ao mercado de trabalho
Carteira de Trabalho Digital. Foto: Reprodução

Mulheres de meia-idade relatam dificuldades para retornar ao mercado de trabalho e temem que ferramentas de inteligência artificial usadas no recrutamento reforcem preconceitos de idade e gênero. A britânica Stacey Duguid, de 52 anos, enviou currículos durante 16 meses após uma carreira no setor de moda e decidiu retirar referências à idade e ao tempo de experiência do documento. “A IA é um espelho da sociedade. Ela reflete os nossos preconceitos”, afirmou.

A BBC ouviu mais de 60 mulheres de 40 a 65 anos que enfrentaram rejeições automatizadas ou falta de resposta após se candidatarem a vagas. Koeyli Jaluka, de 49 anos, disse ter se inscrito em 442 processos seletivos depois de ser dispensada e relatou abalo na autoconfiança. Algumas candidatas afirmam que consultores recomendam apagar os primeiros anos da trajetória profissional para não parecerem experientes demais.

Especialistas alertam que sistemas de triagem podem interpretar lacunas na carreira, comuns entre mulheres que deixaram o emprego para cuidar de filhos ou parentes, como um fator negativo. A pesquisadora Eleanor Drage, da Universidade de Cambridge, considera as preocupações justificadas, embora ressalte a dificuldade de provar vieses em cada caso. A Workday, que enfrenta um processo nos Estados Unidos por suposta discriminação em triagens, nega as acusações e afirma que seu software apoia, mas não substitui, decisões humanas de contratação.