Uso excessivo de IA pode causar “sedentarismo cognitivo”; entenda

A facilidade de obter respostas e executar tarefas com inteligência artificial pode provocar o chamado “sedentarismo cognitivo”, segundo Belén Ortega, especialista em IA e autora do livro “Human/IA. A IA tem alma e é o ser humano”. O conceito descreve a perda de exercício de capacidades como memória, criatividade, resolução de problemas, formulação de ideias e pensamento crítico quando essas tarefas passam a ser delegadas à tecnologia.
Uma pesquisa da Universidade de Toronto, realizada em 2024, apontou que grandes modelos de linguagem e sistemas de IA generativa podem melhorar o desempenho no curto prazo, mas também levar a ideias mais semelhantes entre si e menos convencionais. Para Ortega, o problema não está em usar as ferramentas, mas em substituir por completo atividades que exigem participação intelectual. Ela recomenda empregar a IA em tarefas repetitivas e operacionais, mantendo a decisão humana em assuntos ligados a emoção, estratégia, relações humanas e análise crítica. “O leme da vida está nas mãos de cada um. Não podemos delegar o comando à inteligência artificial”, afirmou.
A especialista defende que usuários desenvolvam um critério próprio sobre quando e como recorrer à IA. Entre as sugestões, estão pedir que a ferramenta não invente informações e solicitar perguntas antes de uma resposta, para reduzir lacunas preenchidas sem base. Na avaliação de Ortega, comunicação, criatividade, pensamento científico, pensamento crítico e estratégia devem ganhar importância no mercado de trabalho à medida que a automação avança.
