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Iate de amigo de Putin apreendido na Itália vira dor de cabeça bilionária

O superiate ‘A’ (à direita) está atracado no litoral de Trieste (Itália). Foto: AFP

O superiate A, avaliado em R$ 3,6 bilhões e pertencente ao bilionário russo Andrey Melnichenko, está gerando indignação entre os moradores de Trieste, na Itália. Desde que foi apreendido em 2022, após as sanções contra aliados de Vladimir Putin, a manutenção da embarcação já custou cerca de R$ 172 milhões aos cofres públicos italianos. A quantia cobre despesas com segurança, tripulação, seguro e combustível, já que o iate precisa ser mantido em condições de navegação.

O prefeito de Trieste, Roberto Dipiazza, criticou os gastos, que superam em muito o orçamento de serviços públicos locais. Para efeito de comparação, toda a rede de bondes da cidade recebe apenas R$ 5,4 milhões por ano. O superiate foi “congelado” — e não confiscado — o que significa que poderá ser devolvido ao proprietário caso as sanções sejam suspensas.

Lançado em 2017 pela empresa alemã Nobiskrug, o A é uma das embarcações mais luxuosas do mundo, com 142 metros de comprimento, oito andares, heliporto, sala de observação subaquática e três mastros mais altos que a torre do Big Ben, em Londres. A tripulação fixa é composta por 54 pessoas, e o sistema de propulsão híbrido diesel-elétrico é controlado digitalmente.

Andrey Melnichenko, com fortuna estimada em R$ 80 bilhões, é um dos empresários mais ricos da Rússia, atuando nos setores de carvão e fertilizantes. Por meio de um porta-voz, ele negou envolvimento político e afirmou não ter relação com a guerra na Ucrânia. Ainda assim, seu iate segue ancorado e sob vigilância, transformando-se em um símbolo polêmico do custo das sanções impostas à elite russa.